Lembrando de tudo o que se lê
Data: 25/1/2009
Por: Alberto Dell´Isolla
É inegável a importância de treinamentos in company – existem pesquisas e mais pesquisas mostrando o quanto eles aumentam a lucratividade e saúde mental dos funcionários. No entanto, não é incomum que funcionários e empresários se esqueçam daquilo que foi ensinado, poucos dias após o treinamento. Como criar gatilhos de memória fortes o suficiente para todo esse treinamento não ser em vão? Como memorizar tudo aquilo que se lê?
Para responder essa pergunta, é importante descrevermos como funciona o esquecimento.
Logo após assistir uma palestra ou ler um livro, o empresário sabe algo próximo de 0% do assunto ensinado. Desse modo, ao final da palestra, ele saberá 100% do assunto ensinado (ao menos saberá o máximo que ele tem condições de aprender, dado o conhecimento prévio sobre o assunto). Assim, após a palestra, a curva do entendimento chega em seu ponto máximo. No segundo dia, se o empresário não tiver feito qualquer revisão do assunto (ler, pensar sobre ele, discutir sobre os tópicos aprendidos...) ele provavelmente se esquecerá de 50%-80% daquilo que foi aprendido. Perceba que nos esquecemos mais nas primeiras 24 horas após a aquisição do que ao longo de 30 dias. Desse modo, ao final dos 30 dias, restarão apenas 2%-3% de toda informação adquirida no primeiro dia. Assim, ao final dos 30 dias, você terá a impressão de que nunca ouviu falar do assunto estudado, precisando estudar tudo desde o inicio.
No entanto, é possível que mudemos essa realidade. Nossos cérebros constantemente gravam informações de maneira temporária: conversas no corredor da faculdade, a roupa que você estava usando no dia anterior, o nome de amigos apresentados em uma reunião, a música que acabou de tocar no rádio... No entanto, se você não criar códigos de memória importantes (gatilhos que lhe remetam ao assunto lido ou estudado) , toda essa informação será descartada. A cada revisão, você cria novos códigos de memória,fixando a informação cada vez mais.
Uma fórmula interessante de revisão seria a seguinte: para cada hora de leitura, faça uma revisão de 10 minutos. Observe que essa revisão deve ser feita nas primeiras 24 horas após a aquisição – período em que ocorre maior parte do esquecimento. Essa revisão será o suficiente para "segurar" em sua memória toda a informação aprendida em sala de aula. Uma semana depois (dia 7), para cada hora de aula expositiva, você precisará de apenas 5 minutos para "reativar" o mesmo material, elevando a curva para 100% mais uma vez. Ao final de 30 dias, você precisará de apenas 2-4 minutos para obter novamente os 100% da curva de aprendizagem.
Alguns empresários dizem não ter tempo para esse tipo de revisão. No entanto, nada justifica essa alegação, visto que o maior ganho com as revisões se refere principalmente ao tempo. Se ao longo dos 30 dias os empresários e funcionários não fizerem qualquer tipo de revisão, eles precisarão de mais 50 minutos de estudo para cada hora de treinamento in company – prejuízo de tempo e dinheiro. Dado o inevitável acumulo de leituras, provavelmente o empresário ou funcionário dispensará muito mais tempo do que se tivesse simplesmente feito um bom calendário de revisões.
É claro que não existem regras rígidas sobre as revisões, já que essa rigidez esbarra em outras variáveis como diferenças individuais e densidade do material a ser estudado. No entanto, é preciso que você estabeleça um sistema eficiente de revisões caso realmente queira ser cada vez mais bem sucedido.
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